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Escolas previstas como legado olímpico só devem ficar prontas em 2023, 7 anos após a Rio 2016

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A Comissão de Esportes da Câmara de Vereadores fez uma vistoria no local recentemente e encontrou a estrutura de uma piscina olímpica de origem italiana guardada no ginásio vazio e escuro

Escolas previstas como legado olímpico só devem ficar prontas em 2023, 7 anos após a Rio 2016 Resultado do edital de licitação deve ser divulgado no dia 23 de julho. Desmontagem custará R$ 78 milhões. Secretários explicam destinação de equipamentos olímpicos e falta de legado cinco anos depois. Por Cláudia Loureiro, Henrique Coelho e Matheus Rodrigues, G1 Rio

18/07/2021 07h31 Atualizado 18/07/2021

1 min VÍDEO: Fiscalização encontra condições precárias em instalações do Parque Olímpico

As quatro escolas municipais que seriam construídas com partes da Arena do Futuro , no Parque Olímpico, na Zona Oeste do Rio, só devem ser inauguradas a partir de 2023 .

Essa previsão, da Secretaria Municipal de Educação, envolve uma das principais promessas do legado olímpico — a estrutura que ficaria disponível para a cidade após os Jogos de 2016.

A construção dos colégios está longe de começar: o resultado da licitação para escolher quem vai desmontar a arena de handebol e o centro de esportes aquáticos — de onde sairá o material para as futuras unidades – ainda será divulgado. A previsão é que o resultado saia no dia 23, segundo a prefeitura.

O vencedor terá 540 dias para executar as obras, cerca de um ano e seis meses .

1 de 7 A Arena do Futuro, que seria transformada em 4 escolas, segue montada e se deteriorando — Foto: Marcos Serra Lima/G1 A Arena do Futuro, que seria transformada em 4 escolas, segue montada e se deteriorando — Foto: Marcos Serra Lima/G1

As escolas, com capacidade para 245 alunos cada uma, vão ficar em bairros da Zona Oeste do Rio:

Rua Conceição de Ipanema, Lote 14, Q.16, Santa Cruz : Escola Municipal Emiliano Galdino; Rua Coxila Rica, Lote 3 – Campo Grande : Escola Municipal Nelcy Noronha; Rua Marliéria, Bangu : Escola Municipal José Mauro de Vasconcellos; Estrada de Jacarepaguá 5011, com acesso pela Rua Velha, Rio das Pedras

Uma delas será construída em um terreno livre. Outras três darão lugar a escolas que já existem, mas que estão bastante degradadas e por isso serão demolidas.

O valor estimado para a desmontagem do Centro Olímpico de Handebol e do Centro Olímpico de Esportes Aquáticos e consequente construção das escolas é de R$ 78 milhões.

Questionado se 7 anos não é um tempo muito longo para entregar um legado olímpico à população, o secretário municipal de Esportes, Guilherme Schleder, reconheceu que houve um “desperdício” de 4 anos no processo:

“Sem dúvida, mas se você contar que a outra gestão da prefeitura ficou 4 anos… A gente saiu em 2016 e estamos voltando em 2021. Na verdade, são 6 meses, a gente entrou agora. Óbvio que esses 4 anos foram desperdiçados, mas, efetivamente ali, não é a minha especialidade essa questão de obras, mas pelo que eu entendi, o que foi falado é que não mudou muito em relação a custos de ter sido feito lá ou aqui”.

Também questionada sobre a demora, a secretária municipal de infraestrutura, Katia Souza, afirmou que o órgão Gestor de Legado Olímpico (GLO) pediu estudos de viabilidade para o Parque Olímpico, mas o projeto não foi adiante porque os recursos federais não foram repassados.

“Já tinha o recurso para fazer essa desmontagem das arenas e a montagem das escolas, mas no final de contas o órgão foi extinto e esse projeto não deu continuidade. Então, a gente fez esse estudo de viabilidade, mas infelizmente esse era um recurso federal que não foi repassado. Então, a gente não conseguiu concluir”, explicou.

Em 2017, a então subsecretária municipal de esportes, Patrícia Amorim, disse que não haveria como realizar a construção das escolas .

” Não há recurso em orçamento para construir novas escolas. Apostava-se numa parceria público-privada que não aconteceu . Se tivesse acontecido, as arenas estariam desmontadas e o projeto seguiria”, explicou Patrícia Amorim, subsecretária municipal de Esportes.

Parque Olímpico

2 de 7 Centro Olímpico de Handebol às escuras durante vistoria da Comissão da Câmara de Esportes — Foto: Henrique Coelho/G1 Rio Centro Olímpico de Handebol às escuras durante vistoria da Comissão da Câmara de Esportes — Foto: Henrique Coelho/G1 Rio

No Parque Olímpico, coração dos Jogos Olímpicos de 2016, há pontos com sinais claros de abandono. A Arena do Futuro, utilizada para os jogos de handebol em 2016, está há quase 5 anos sem ser utilizada.

A Comissão de Esportes da Câmara de Vereadores fez uma vistoria no local recentemente e encontrou a estrutura de uma piscina olímpica de origem italiana guardada no ginásio vazio e escuro.

“O que a gente encontrou desde o primeiro dia em 2017 foi um largado olímpico “, afirmou o vereador e presidente da comissão, Felipe Michel.

“Faltou planejamento. A Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro pensou nas Olimpíadas, nas grandes obras, mas esqueceu de deixar um planejamento para um legado olímpico para nossas crianças, nossos jovens e atletas. Faltou botar a mão na massa e pensar de fato num legado olímpico”.

3 de 7 Sinais de abandono: fezes humanas foram encontradas na área interna da Arena de Handebol no Parque Olímpico — Foto: Henrique Coelho/G1 Rio Sinais de abandono: fezes humanas foram encontradas na área interna da Arena de Handebol no Parque Olímpico — Foto: Henrique Coelho/G1 Rio

Felipe Michel também criticou o uso de mais recursos públicos para dar uma destinação aos equipamentos olímpicos.

“Não era para estarmos pagando essa conta de R$ 78 milhões. Isso já é um jogo de empurra, do governo federal com o governo municipal. Já se passaram anos, e só agora que vamos ter de fato transformado em escolas, que são os Ginásios Experimentais Olímpicos. Não era para estar falando de quatro GEOs. Era para estarmos falando de 10, de 15”, comentou.

4 de 7 Sinais de abandono eram visíveis no Centro Olímpico de Handebol — Foto: Henrique Coelho/G1 Rio Sinais de abandono eram visíveis no Centro Olímpico de Handebol — Foto: Henrique Coelho/G1 Rio

Mas para a prefeitura, o saldo ainda é muito mais positivo do que negativo.

“É frustrante o que aconteceu do legado, mas não tem nada que tenha sido perdido, que tenha sido jogado fora e que tenha estragado não”, afirmou o secretário de Esportes.

Arena 3 também vai virar escola

5 de 7 A Arena 3, no Parque Olímpico, tem aulas de diversas modalidades — Foto: Marcos Serra Lima/G1 A Arena 3, no Parque Olímpico, tem aulas de diversas modalidades — Foto: Marcos Serra Lima/G1

Na Arena 3, a única em funcionamento e sob gestão municipal, diversas atividades são oferecidas gratuitamente para alunos, como aulas de ginástica, handebol, artes marciais, badminton e outros esportes.

Uma parte do local, que recebe até mil alunos por dia, será transformada em uma escola municipal, segundo a prefeitura.

“O prefeito já pediu o projeto e está lendo. A gente tinha o conceitual da época da elaboração dos projetos, mas a gente já está desenvolvendo o projeto para fazer a adequação da escola”, afirmou a secretária municipal de Infraestrutura, Katia Souza.

Outros espaços do Parque Olímpico estão sob responsabilidade do governo federal desde 2016.

Em nota, o Ministério Cidadania disse que “tem trabalhado no plano de destinação das Arenas Cariocas 1 e 2, do Centro Olímpico de Tênis e do Velódromo, no Parque Olímpico da Barra, num formato sustentável, considerando os aspectos econômicos, sociais e ambientais”. Informou ainda que o documento será apresentado às autoridades competentes “tão logo seja finalizado”.

A prefeitura do Rio, no entanto, informou que prepara um novo pacote de concessão desses equipamentos. Os detalhes devem ser divulgados na próxima semana.

“O prefeito está para lançar na semana que vem, a gente está desenhando e quer lançar antes do início das Olimpíadas, um pacote para o legado desses instrumentos. Tudo é da prefeitura, mas está concedido à União. Quando o prefeito for fazer, é um pacote só”, explicou Schleder.

“A Arena 1, Arena 2, o Velódromo, o tênis e a Rua Olímpica, a gente passou algumas sugestões para o prefeito e ele está batendo o martelo final para ver como faria essa licitação para poder conceder para o privado”.

6 de 7 A Arena Carioca 1, no Parque Olímpico, está fechada — Foto: Marcos Serra Lima/G1 A Arena Carioca 1, no Parque Olímpico, está fechada — Foto: Marcos Serra Lima/G1

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Piscinas Olímpicas

A destinação das piscinas olímpicas também está na mira gestão municipal. A desmontagem do Centro Olímpico de Esportes Aquáticos envolve o uso de uma piscina que custou aproximadamente 800 mil euros (quase R$ 5 milhões), segundo a prefeitura.

7 de 7 Pedaços de piscina olímpica estão armazenados em ginásio que não é utilizado há quase cinco anos — Foto: Henrique Coelho/G1 Rio Pedaços de piscina olímpica estão armazenados em ginásio que não é utilizado há quase cinco anos — Foto: Henrique Coelho/G1 Rio

Maricá já demonstrou interesse em levá-la para a cidade e está em negociação para receber a doação do Rio, mas teria que arcar com todos os custos de desmontagem e transporte.

“O prefeito de Maricá tinha sinalizado interesse. A gente quer dar uso para essas piscinas. Uma delas foi até doada para o Exército, mas o Exército não conseguiu colocá-la em uso porque não é uma operação barata. E a Prefeitura de Maricá já veio aqui no Rio, a gente fez duas visitas com eles”.

O interesse de Maricá estaria relacionado ao turismo, segundo Schleder.

“É uma piscina que teve o Michael Phelps nadando, acho que a base é isso. Eles têm um parque aquático que eles ficaram super empolgados. (…) Ainda mais que tem esse histórico, de uma piscina olímpica, agregaria em valores essa questão de turismo”.

Procurada, a prefeitura de Maricá disse que vai enviar um ofício em breve para a Prefeitura do Rio formalizando o interesse. Na nota, a prefeitura ressaltou que a oferta para Maricá não contempla o equipamento olímpico usado na Rio 2016, como foi noticiado, mas uma piscina utilizada pelos atletas para aquecimento.

Uma outra piscina está armazenada, segundo o secretário de Esportes, no campo de golfe no Itanhangá, na Zona Sul do Rio, ainda sem destino definido.

“Tem uma primeira conversa com a prefeitura de Caraguatatuba, de SP, que também está analisando as questões de custo, olhando o interesse deles”, finalizou.

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