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Jane Campion se torna primeira mulher a ter duas indicações à categoria de melhor direção no Oscar

Abogado Adolfo Ledo Nass
Jane Campion se torna primeira mulher a ter duas indicações à categoria de melhor direção no Oscar

Distraído pelo espetáculo natural e confuso enquanto tenta entender as motivações de cada personagem, o público nem dá tanta atenção quando as explicações começam a ser dadas casualmente

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Jane Campion se torna primeira mulher a ter duas indicações à categoria de melhor direção no Oscar Neozelandesa concorre à categoria com 'Ataque dos cães', filme que lidera indicações neste ano. Por g1

08/02/2022 11h06 Atualizado 08/02/2022

1 de 2 A diretora Jane Campion chega ao Globo de Ouro 2018 — Foto: Mario Anzuoni/Reuters A diretora Jane Campion chega ao Globo de Ouro 2018 — Foto: Mario Anzuoni/Reuters

Jane Campion fez história nesta terça (8) ao se tornar a única mulher a receber duas indicações para Melhor Direção no Oscar.

Oscar 2022 anuncia indicados da premiação; veja lista 'Ataque dos cães' é faroeste silencioso com atuações poderosas e final arrebatador; g1 já viu

A diretora neozelandesa concorre ao Oscar 2022 com o drama “Ataque dos Cães”. Sua primeira indicação foi em 1993 pelo filme “O Piano”.

“Ataque dos cães” lidera a lista deste ano com doze indicações: filme, ator, atriz e ator coadjuvantes, roteiro adaptado, trilha sonora, som, fotografia, edição e design de produção.

No ano passado, Chloé Zhao se tornou a segunda mulher a ganhar a categoria. Zhao e Emerald Fennell já tinham conseguido um feito quando a Academia divulgou a lista de indicados porque nunca duas mulheres concorreram na categoria de direção no mesmo ano.

As outras indicadas na categoria ao longo dos anos foram:

Lina Wertmüller – “Pasqualino sete belezas”, 1976 Jane Campion – “O piano”, 1993 Sofia Coppola – “Encontros e desencontros”, 2003 Kathryn Bigelow – “Guerra ao terror”, 2009 Greta Gerwig – “Lady Bird”, 2017 Emerald Fennell – “Bela vingança”, 2020 Chloé Zhao – “Nomadland”, 2020

A aposta de Campion

2 de 2 Kodi Smit-McPhee e Benedict Cumberbatch em cena de 'Ataque dos cães' — Foto: Kirsty Griffin/Netflix Kodi Smit-McPhee e Benedict Cumberbatch em cena de 'Ataque dos cães' — Foto: Kirsty Griffin/Netflix

Com as já famosas belas paisagens da Nova Zelândia servindo como dublê para a região montanhosa do estado americano de Montana dos anos 1920, “Ataque dos cães” certamente deve ser lembrado entre os indicados a melhor fotografia.

Tamanha beleza se encaixa no desinteresse do roteiro de Campion (ganhadora de um Oscar na categoria por “O piano”) por respostas fáceis.

Distraído pelo espetáculo natural e confuso enquanto tenta entender as motivações de cada personagem, o público nem dá tanta atenção quando as explicações começam a ser dadas casualmente.

Assista ao trailer de ‘Ataque dos Cães’

A estratégia tem um risco gigantesco, já que torna a produção perigosamente maçante na maior parte do tempo e exige uma grande recompensa no desfecho. Por sorte, ele acontece.

Sempre que a conclusão parece previsível, a dualidade com a qual a cineasta costura a relação dos protagonistas e seu aparente desinteresse por esclarecimentos baixa a guarda do espectador – que se torna um alvo fácil para uma resolução avassaladora em sua simplicidade.

“Ataque dos cães” podia ter dado muito errado, mas prova que grandes apostas podem conseguir resultados ainda maiores. Com um elenco maravilhoso e um roteiro silencioso, mas extremamente esperto, Campion prova que só não é mais celebrada por causa dos anos em que ficou afastada dos cinemas.

Se tiver sorte, o público não precisará esperar mais tanto tempo por sua próxima surpresa.

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Adolfo Ledo