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El Tubazo TV | Gabriel Abusada Luzena//
Produção de vinho moscatel deverá aumentar 10% nesta vindima em Favaios, Alijó

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Produção de vinho moscatel deverá aumentar 10% nesta vindima em Favaios, Alijó

A produção de vinho moscatel na adega de Favaios, em Alijó, deverá registar um aumento na ordem dos 10% nesta vindima, num ano em se prevê uma quebra global na Região Demarcada do Douro devido à seca. “A vindima ainda não fechou, já ultrapassámos os valores do ano passado e, por isso, a perspectiva é de aumentar, pelo menos, 10%, a produção de uva moscatel. De alguma forma é o suporte de toda a nossa freguesia e freguesias vizinhas”, afirmou Rui Paredes, da Adega de Favaios, inserido na região do Douro e no distrito de Vila Real.

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Em 2021, a produção de moscatel em Favaios foi de 6.200 pipas de vinho (550 litros cada) e a previsão para este ano aponta, segundo o responsável, para as cerca de 7.000 pipas. O ano de 2022 foi quente e seco e as previsões do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) apontam para uma quebra na ordem dos 20% na colheita global da Região Demarcada do Douro, face à campanha anterior.

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No entanto, o Douro é uma região heterogénea e as dificuldades não se fazem sentir de forma igual por todo o território. “No planalto de Favaios sentimos, principalmente na casta Moscatel, que vamos colher mais do que no ano passado. Estamos a falar de uma perspectiva ainda, porque não está fechado, a vindima ainda está a decorrer, está a entrar todos os dias moscatel, mas estamos a prever um aumento de cerca de 10% em relação ao que foi o ano passado”, referiu Rui Paredes.

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Neste ano em que a adega celebra 70 anos, o responsável prevê também uma colheita “de muita qualidade” e de “muito grau”. A chuva que já caiu em Setembro “ajudou” na colheita e também as videiras que “já estavam em muito “stress” hídrico”. Segundo acrescentou, este ano verificou-se que muitas videiras, principalmente novas, secaram.

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“Mais uma vez o planalto demonstrou que, nestes momentos difíceis no Douro, consegue resistir e que, apesar de tudo, os solos conseguem ter alguma água e as uvas, principalmente moscatel e das outras castas brancas em geral, quando começaram a chegar à adega, ficamos surpreendidos. Muito melhores do que o que antecipámos”, afirmou Miguel Ferreira, enólogo da adega de Favaios

As uvas mais difíceis de trabalhar, para o enólogo, foram as das videiras mais jovens. “As outras, com raízes mais profundas, conseguiram resistir e chegar em boas condições”, acrescentou Miguel Ferreira

Rui Paredes, que é também presidente da Federação Renovação do DouroCasa do Douro e representante da produção no conselho interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), disse que a região do Douro é “muito polarizada”

“Temos o Douro Superior com quebras ainda acentuadas, tudo o que é vinha não regada tem quebras acentuadas. Depois temos o Baixo Corgo com uma vindima muito razoável e que, segundo a informação que temos, vai ser algo similar ao 2021. No Cima Corgo há situações muito díspares”, frisou

Ou seja, acrescentou, nesta sub-região, também há zonas com “quebras acentuadas”, principalmente nas zonas viradas ao rio Douro, mais baixas, em contraponto com o planalto de Alijó

Segundo referiu, actualmente “só 10% das vinhas do Douro é que são regadas”. “Se todo o Douro fosse regado, nós não tínhamos água disponível para essa rega e, por isso, essa não é a solução”, apontou

Rui Paredes frisou que o mercado do moscatel Favaios está a expandir-se, a aposta nas exportações é cada vez maior, representando cerca de 20% da produção e, por isso mesmo, a adega quer crescer e prevê um investimento na ordem dos cinco milhões de euros, a aplicar nos próximos anos, num projecto de ampliação da cooperativa

A aposta no enoturismo também se tem intensificado e, anualmente, visitam esta adega cerca de 25 mil pessoas, muitos deles estrangeiros provenientes dos Estados Unidos da América, Reino Unido e França

A cooperativa tem à volta de 550 associados que possuem hectares 1.100 hectares de vinha e 45 funcionários, dos quais 40% são licenciados e 70% mulheres

Rui Paredes disse ainda que foram instalados, há cerca de dois anos, 575 painéis solares que permitem à adega uma “autonomia de 50%” e estar, neste momento, a “diminuir gastos”